
Fração Universo Momento Incômodo LIVRE EXPRESSÃO ARTÍSTICA & CIDADÃ :: Composições sem referência de origem são autorais* :: Beba a água e cite a fonte**_
quinta-feira, agosto 14, 2014
sexta-feira, abril 18, 2014
quinta-feira, março 27, 2014
sábado, março 22, 2014
sábado, março 08, 2014
outono
folhas caem
do bico os pássaros
o índio de plumagem branca
balança na biblioteca
prestes a cair
em Cubatão nasceram três bbs sem cérebro
chamem os brasilianists
exílio
cãibras
chicotes
descartas de teus olhos
metálicos
ruídos de prata
um banho
uma alma
o mar chia e esfria
maré e felicidade
amarela Havana
queimado fim de tarde
partida
ganha e perdida
enguiçou a privada
a diarista não veio
aumentaram o meu salário
ainda bem
a vida
quando mel
simples
enjoativa
há quem goste
safographia : solange padilha
do bico os pássaros
o índio de plumagem branca
balança na biblioteca
prestes a cair
em Cubatão nasceram três bbs sem cérebro
chamem os brasilianists
exílio
cãibras
chicotes
descartas de teus olhos
metálicos
ruídos de prata
um banho
uma alma
o mar chia e esfria
maré e felicidade
amarela Havana
queimado fim de tarde
partida
ganha e perdida
enguiçou a privada
a diarista não veio
aumentaram o meu salário
ainda bem
a vida
quando mel
simples
enjoativa
há quem goste
safographia : solange padilha
segunda-feira, janeiro 06, 2014
sábado, novembro 16, 2013
quinta-feira, agosto 01, 2013
segunda-feira, julho 29, 2013
sexta-feira, fevereiro 22, 2013
segunda-feira, dezembro 31, 2012
terça-feira, outubro 30, 2012
terça-feira, outubro 02, 2012
propaganda eleitoral gratuita
Corrupção deixa rastro
» cartaz publicitário - defesa conceitual
A corrupção é a ferrugem que corrói os órgãos públicos/sociais, através da contaminação de seus integrantes, pela possibilidade rápida de ascender (“dar um up” – estrangeirismo comumente usado na língua portuguesa sob forma de gíria) na condição financeira e/ou de poder do corrupto/corrompido em potencial. O cartaz propõe, a partir dessa oferta de up feita pelos agentes da corrupção, que os indivíduos vão sendo aos poucos contaminados e degradados pela ação da ferrugem. Consequentemente um rastro de acordos e verbas ilícitas vai sendo impresso em um ambiente extremamente perigoso e, muitas vezes, manchado de sangue.
A palavra corrupção é grafada na fonte stencil (com intervenções), por sua neutralidade de utilização: o alongamento vertical intenciona um sentimento de superioridade; a palavra UP, destacada na cor ferrugem, representam os agentes da corrupção plenos em suas atividades; as demais letras representam os demais envolvidos – já contaminados e em fase de degradação. As pegadas, verdes por associação ao dinheiro, simbolizam o rastro dos acordos ilícitos. O fundo vermelho, sujo pelas pegadas maiores, simbolizam o ambiente perigoso e, possivelmente, manchado de sangue.
O cartaz propõe também que, havendo um mínimo de bom senso, não seja a corrupção o caminho escolhido para se dar um UP na carreira, condição financeira ou, menos ainda, exercício indiscriminado do poder.
sexta-feira, agosto 24, 2012
quarta-feira, julho 25, 2012
segunda-feira, junho 18, 2012
quarta-feira, maio 02, 2012
sexta-feira, abril 13, 2012
mesmo
não me agrada
muito menos mesmo
a mim
violentar
não me agrada
mesmo muito menos
contigo a barra
forçar
não me agrada
menos mesmo muito
conosco o tempo
acabar_
muito menos mesmo
a mim
violentar
não me agrada
mesmo muito menos
contigo a barra
forçar
não me agrada
menos mesmo muito
conosco o tempo
acabar_
quarta-feira, abril 11, 2012
segunda-feira, março 05, 2012
migalhas
participo não de disputas
faço não questão de certezas
não choro nem discuto migalhas
"mentiras sinceras me interessam"
"o nosso amor a gente inventa"
faço não questão de certezas
não choro nem discuto migalhas
"mentiras sinceras me interessam"
"o nosso amor a gente inventa"
quinta-feira, março 01, 2012
a arte e a obra
possui-me a arte
a obra é você
me faz companhia a arte
a obra sou eu
na obra de arte
estamos você e eu
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
sexta-feira, janeiro 13, 2012
domingo, janeiro 08, 2012
quarta-feira, dezembro 07, 2011
amor sensorial
o perfume pertence ao corpo
o toque tem a pele
o beijo possui a boca
pequenos grandes lábios
o momento domina o pensamento
por quanto tempo?
o toque tem a pele
o beijo possui a boca
pequenos grandes lábios
o momento domina o pensamento
por quanto tempo?
quarta-feira, outubro 19, 2011
quinta-feira, setembro 01, 2011
Pegando o bonde andando
>> fotografia garimpada na rede
Nem transporte de massa, nem turístico. Apenas um transporte coletivo – de contexto histórico – onde o seu funcionamento, assim como em qualquer meio de transporte, precisa ser de acordo com as Normas de Segurança. Aliás, nesse país (e em tantos outros), normas de segurança é algo que ainda não se tem o costume (ou a cultura) de se dar a devida atenção! Haja visto os nossos trens, ônibus, barcas, vans – e até motocicletas –, que circulam superlotados país afora, anunciando os terríveis acidentes que, consequentemente, não tardam a acontecer. Isso sem falar das quedas de aviões, dos desabamentos de prédios, das explosões de bueiros, dos vazamentos de petróleo e químicos...
Apesar do nosso jeitinho carioca (e até brasileiro), do qual nos orgulhamos tanto, o que precisamos é aprender a estar atentos, pois acidentes acontecem todo o tempo. Como me disse uma vez um Técnico de Segurança do Trabalho, "(...) os acidentes estão prestes a acontecer. Basta um descuido." A cultura do jeitinho não pode ser aliada da imprudência.
O bondinho de Santa Teresa faz parte da rotina do bairro, do dia a dia dos moradores, do clima bucólico. Compõe o diferencial arquitetônico e artístico que atrai os visitantes para degustar a geografia, a paisagem, os restaurantes, o cinema, os espaços públicos. Promove a economia da cidade. É Rio de Janeiro na veia!
terça-feira, agosto 02, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
e c o lógica
sábado, janeiro 01, 2011
segunda-feira, dezembro 20, 2010
quarta-feira, dezembro 08, 2010
quinta-feira, novembro 25, 2010
quarta-feira, setembro 29, 2010
terça-feira, setembro 28, 2010
Solilóquio de um visionário
Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!
A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!
Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...
Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!
Augusto dos Anjos
Do velho e metafísico mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!
A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!
Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...
Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!
Augusto dos Anjos
terça-feira, setembro 07, 2010
segunda-feira, agosto 23, 2010
quarta-feira, junho 23, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
sexta-feira, janeiro 15, 2010
quinta-feira, novembro 19, 2009
constelação
nem sempre penso o q falo
nem sempre falo o q penso
nem sempre penso no meu falo
nem sempre expresso o q sinto
nem sempre sinto o q expresso
nem sempre acredito no q penso
nem sempre penso no q acredito
nem sempre acho q sei
nem sempre sei q... acho
nem sempre me acho
nem sempre acho o q sou
sem sempre sou o q acho
nem sempre sou quem acho
nem sempre acho quem sou
nem sempre sei o q rola
nem sempre xota
nem sempre agora
nem sempre
>>imagem: exposição de objeto sobre papel fotográfico
nem sempre falo o q penso
nem sempre penso no meu falo
nem sempre expresso o q sinto
nem sempre sinto o q expresso
nem sempre acredito no q penso
nem sempre penso no q acredito
nem sempre acho q sei
nem sempre sei q... acho
nem sempre me acho
nem sempre acho o q sou
sem sempre sou o q acho
nem sempre sou quem acho
nem sempre acho quem sou
nem sempre sei o q rola
nem sempre xota
nem sempre agora
nem sempre
>>imagem: exposição de objeto sobre papel fotográfico
quarta-feira, agosto 12, 2009
unidade

órgão
s. m.
http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=órgão1. Cada uma das partes que exerce uma função nos corpos organizados.
2. Cada parte que, num maquinismo, exerce função especial.
3. Por ext. Instrumento, meio, agente.
4. Instrumento músico de teclado e sopro.
5. Sifão para transvasar vinhos.
6. Cilindro (no tear) em que se enrola o que se vai tecendo.
7. Periódico ou jornal oficioso de um partido.
>>imagem: pintura acrílica sobre tecido
quinta-feira, junho 25, 2009
leisure options

I have a bicycle. I like to pedal when i'm tired because of the work and when want to apreciate the nature. The bicycle provides and intensifies a feeling of freedom that it's very good.
I like the sea too. The wind blowing the body, the sound of the waves and the smell of the sea cause an inexplicable sensation.
Swimming is a pleasure too, but now i'm afraid when it is a rough sea. I prefer swimming in a calm sea.
For all things, go to the sea by bicycle is a frequent leisure option.
___
my first one text in english (after teatcher correction, of course ;)
>>imagem: fotografia digital
sexta-feira, junho 05, 2009
espreme q dá caldo

... para não correr o risco de deixar alguém de fora e causar constrangimentos por um sentimento de exclusão, melhor não citar nomes ao falar em CPI, um assunto tão recorrente na contemporaneidade do país. limito-me, então, à sugestão de uma pauta: q tal, "senhores(as)", criarmos a CPI DO RABO PRESO?
>>imagem: composição (caneta esferográfica sobre papel reciclado)
>>imagem: composição (caneta esferográfica sobre papel reciclado)
quarta-feira, abril 15, 2009
banhistas
(...) o que mais nos maravilhava nessas brasileiras era o fato de que, não obstante não pintarem o corpo como os homens, nunca pudemos conseguir que se vestissem. Os homens ainda se vestiam por vezes, mas elas não queriam nada sobre o corpo e creio que não mudaram de idéia (...)Jean de Lévy, em 1557
___
http://veja.abril.com.br/vejarj/160102/capa.html
>>imagem: fotografia digital
quinta-feira, janeiro 15, 2009
cosmopolitismo
agir urge marginal ao sonho
>>imagem: composição digital inspirada em América Invertida, de Joaquín Torres García.
sexta-feira, novembro 14, 2008
notícia
diante do caos, salve a vida q se renova e, seja na ciência ou na arte, a inteligência
>>imagem: detalhe de jornal finalizado digitalmente
(O Globo)
>>imagem: detalhe de jornal finalizado digitalmente
(O Globo)
quarta-feira, novembro 12, 2008
quinta-feira, novembro 06, 2008
a/c

o designer é um artesão q aprendeu uma escola
... a necessidade de imprimir/reproduzir o texto criou a arte gráfica, q por sua vez, é uma função objetiva da litografia, ou seja, uma técnica de expressão artística q se enquadra nas artes plásticas. a arte gráfica nasce das artes plásticas nesse momento. entendo q a arte gráfica é o ato de imprimir, seja em qual mídia/suporte, comunicação, subjetiva ou objetiva. o q tb pode gerar outra discussão, pois, nas cavernas, os peludões pintavam/imprimiam/expressavam sob a necessidade original de comunicar. ou melhor, se entender.
imagina, ainda hj ninguém se entende...
>>imagem: composição digital
sexta-feira, outubro 31, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
terça-feira, outubro 21, 2008
terça-feira, setembro 30, 2008
quinta-feira, setembro 18, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
sábado, julho 26, 2008
sábado, julho 12, 2008
doutorado meidisquina
segunda-feira, janeiro 28, 2008
gargalhadas infantis
três ou quatro anos. no quintal, uma estrada desenhada c/ a palma da mão e uma dezena de carrinhos enfileirados. é quase fim de tarde e rola uma brisa. um vento. uma ventania. insetos não identificados, c/ a bunda maior q o corpo, voam desesperadamente. as pessoas correm pela rua. gritos. casas destelham...
— protejam-se!
o vento na pele, os cabelos esvoaçantes, o corpo girando de braços abertos, a respiração tranqüila. estou quase levitando.
minha mais remota sensação de liberdade.
:)
— protejam-se!
o vento na pele, os cabelos esvoaçantes, o corpo girando de braços abertos, a respiração tranqüila. estou quase levitando.
minha mais remota sensação de liberdade.
:)
sexta-feira, janeiro 18, 2008
segunda-feira, novembro 05, 2007
vida

Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade.
Só a pessoa que se arrisca é livre...
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida..."
Sobrem Kiekegaard
>>imagem: desenho de observação (aguada de nanquim sobre papel canson)
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade.
Só a pessoa que se arrisca é livre...
"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida..."
Sobrem Kiekegaard
>>imagem: desenho de observação (aguada de nanquim sobre papel canson)
sexta-feira, julho 13, 2007
brasileiro, sincretismo na veia

SINCRÉTICO, adj. Relativo ao sincretismo; eclético; misto; (Gra.) diz-se da forma vocabular que apresenta sincretismo.
SINCRETISMO, s.m. Sistema filosófico, que combinava os princípios de diversos sistemas; ecletismo; amálgama de concepções heterogêneas; (Gram.) é o fenômeno gramatical que permite a uma mesma forma exercer várias funções que, normalmente, cabem a outras; é a acumulação de funções numa mesma forma vocabular; assim, o mais-que-perfeito do indicativo, que pode servir de imperfeito do subjuntivo e de futuro do pretérito: "Eu perdera (perderia) chorando essas coroas/ Se eu morresse amanhã." (Álvares de Azevedo).
SINCRETISTA, adj. Sincrético; s. 2 gên. pessoa partidária do sincretismo.
[Dicionário Escolar da Língua Portuguesa • Francisco da Silveira Bueno
11ª edição/3ª tiragem • FENAME/MEC/FNME - 1980]
__________
SINCRETISMO, (Filos.) sistema que combinava as opiniões e os princípios de diversas escolas; ecletismo; amálgama de concepções diferentes; (Psic.) fenômeno psicológico que caracteriza uma fase do desenvolvimento da criança durante a qual ela percepciona os objectos no seu conjunto, sem os individualizar, só conseguindo distinguir os elementos do todo num período mais avançado do seu desenvolvimento mental.
[Dicionário Escolar da Língua Portuguesa • Francisco da Silveira Bueno
11ª edição/3ª tiragem • FENAME/MEC/FNME - 1980]
__________
SINCRETISMO, (Filos.) sistema que combinava as opiniões e os princípios de diversas escolas; ecletismo; amálgama de concepções diferentes; (Psic.) fenômeno psicológico que caracteriza uma fase do desenvolvimento da criança durante a qual ela percepciona os objectos no seu conjunto, sem os individualizar, só conseguindo distinguir os elementos do todo num período mais avançado do seu desenvolvimento mental.
sexta-feira, março 30, 2007
Os rios de um dia
Os rios, de tudo o que existe vivo,
vivem a vida mais definida e clara;
para os rios, viver vale se definir
e definir viver com a língua da água.
O rio corre; e assim viver para o rio
vale não só ser corrido pelo tempo:
o rio corre; e depois que com sua água,
viver vale suicidar-se todo o tempo.
Por isso, que ele define com clareza,
o rio aceita e professa, friamente,
e se procuram lhe atar a hemorragia,
ou a vida suicídio, o rio se defende.
O que um rio do Sertão, rio interino,
prova com sua água, curta nas medidas:
ao se correr torrencial, de uma vez,
sobre leitos de hotel, de um só dia;
ao se correr torrencial, de uma vez,
sem alongar seu morrer, pouco a pouco,
sem alongá-lo, em suicídio permanente
ou no que todos, os rios duradouros;
esses rios do Sertão falam tão claro
que induz ao suicídio a pressa deles:
para fugir na morte da vida em poças
que pega quem devagar por tanta sede.
vivem a vida mais definida e clara;
para os rios, viver vale se definir
e definir viver com a língua da água.
O rio corre; e assim viver para o rio
vale não só ser corrido pelo tempo:
o rio corre; e depois que com sua água,
viver vale suicidar-se todo o tempo.
Por isso, que ele define com clareza,
o rio aceita e professa, friamente,
e se procuram lhe atar a hemorragia,
ou a vida suicídio, o rio se defende.
O que um rio do Sertão, rio interino,
prova com sua água, curta nas medidas:
ao se correr torrencial, de uma vez,
sobre leitos de hotel, de um só dia;
ao se correr torrencial, de uma vez,
sem alongar seu morrer, pouco a pouco,
sem alongá-lo, em suicídio permanente
ou no que todos, os rios duradouros;
esses rios do Sertão falam tão claro
que induz ao suicídio a pressa deles:
para fugir na morte da vida em poças
que pega quem devagar por tanta sede.
João Cabral
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
ciclo
quarta-feira, janeiro 03, 2007
f e l i z 2 0 0 7

liberdade admirável felina
sonhos não registrados pela memória
imagem constante estímulo
aspirado perfume reconhecido
sonhos não registrados pela memória
imagem constante estímulo
aspirado perfume reconhecido
>>imagem: pintura acrílica sobre tecido
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